domingo, 23 de maio de 2010

Perdido

Por Leandro Rocha

Tudo esta calmo na vida dele, as coisas seguindo no ritmo certo, na forma certa, para o lado certo. Ele se encontra num estado confortável de repouso onde apenas fiscaliza sua existência para que nada saia errado em momento algum. Aí ela aparece, de forma inocente, aparece como qualquer pessoa pode aparecer, mas ela não se torna qualquer pessoa, ela ganha um destaque especial e, todo aquele conforto, é jogado no abismo.


Ele esta perdido. Perdido em pensamentos, em ações, em vontades e desejos, esta perdido em tudo, não sabe qual caminho tomar, mas parece que todos os caminhos levam a ela. Ele não quer pensar, pois só pensa nela e se sente bobo, por que pensar nela se ela certamente não esta lembrando que ele existe? Pergunta-se sem resposta.


O que ela fala se torna poesia e musica, o sorriso se torna pintura de artista talentoso, o perfume, a melhor fragrância. Tenta manter-se sob controle sem sucesso, se ouve musica pensa se ela gostaria de ouvir também, se vê filme se coloca no lugar do mocinho que beija a protagonista (devidamente substituída) no final.


Quando perto dela, tenta se manter forte e quase indiferente, sorri quando tem que sorrir e fala quando tem que falar, mas sua vontade é de falar toda sua vontade a ela, não faz por medo, medo da rejeição ou do riso debochado, teme as conseqüências futuras, teme o mal estar, teme muito porque pensa demais, talvez ele devesse pensar menos.


Seu pior momento é a noite quando encontra-se consigo deitado no travesseiro, sob o manto escuro da noite, a cama torna-se divã e lá ele despeja tudo que sente, como se de alguma forma suas palavras pensadas fossem levadas a ela que já dorme profundamente sonhando com alguma coisa, que não é ele.


Ele mente: “não crio expectativa”. Cria, impossível não criar quando se quer tanto, por ele se jogaria de cabeça nesse penhasco. Sua cabeça trabalha contra, prefere não pensar nos momentos de queda livre onde pode planar livremente, não, pensa que quem se joga de cabeça num penhasco, não tem outro destino senão uma testada no chão.


Ele saiu do ponto morto, o repouso acabou, a hibernação acabou, chegou a hora de acordar pois o longo inverno se foi e a primavera o chama, com flores e sol forte, não há mais fiscal nem caminho certo, há apenas caminhos, erros e acertos, há o amor que sente cheiro, que abraça, que beija o rosto mas quer beijar a boca, segundas e terceiras intenções de cara limpa e não em um avatar, seu coração queima, uma sensação nova que mistura medo e paixão. Ele vive.

sábado, 22 de maio de 2010

Sangria


Por Leandro Rocha


Escorre lentamente pela ferida aberta até a parte mais baixa, então caem, uma, duas, infinitas gotas caem sem pressa. No chão, uma poça vermelha começa a se formar, ela também escorre ate o ponto mais baixo e caminha rente ao canto da parede.


Coração suicida que abre as feridas por conta própria e justifica-se com fatos que só ele enxerga, não se pode convencê-lo, esta decidido a sangrar sobre a dificuldade que encontra.


Coração que bate forte para que o sangue saia com mais força, sangue que espirra, que força a saída e abre mais a ferida. O sangue parece que nunca acaba, não imaginou que poderia sangrar tanto, apesar da agressão, o coração não sente dor, sente-se bem.


Está quase acabado, o sangue sai tímido por entre as largas portas abertas, sai sem querer, sai expulso, vai assim até a ultima gota expulsa com o maior esforço pelo coração moribundo.


Não há mais sangue, mas ainda não acabou, a carne esta úmida e deve secar, o coração espera ate o momento em que as feridas abertas se tornem fissuras unidas pelas rachaduras que o cobrem todo.

Ele quebra em um som oco, fumaça sai de dentro dele e suas partes espalham-se pelo chão, estava vazio por dentro e a casca se tornou pó, pó molhado na poça de sangue quase seca, viscosa no chão.


Agora ele se sente bem, agora ele esta pronto para amar

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Até ela tem

Por Rodrigo Santos

Bem, vejamos uma coisa... Certo dia, alguém, bem conhecido por sinal, resolveu dizer que existia alguém perfeito, ou quase, eu diria que a idéia nem era mostrar a perfeição e sim mostrar que existia alguém, mesmo que no pensamento dele, diferente.

No primeiro momento eu até acreditei que realmente ela poderia ser perfeita. Mas foi no dia que alguém, que eu nem sei quem era, falou ao meu ouvido o que ele queria dizer, ou o que eu entendia o que ele queria, destruindo todo meu pensamento anterior...

Acho que ela nem me conhecia, acho não tenho certeza, eu era muito pequeno no meio de toda aquela multidão que a cercava, mas aquela voz soava aos meus ouvidos de forma que me fazia esquecer de tudo e todos que estavam naquele ambiente.

Eu estava ali pensando em o que fazer de minha vida, qual lado seguir, achando que aquele, que todos acham perfeito, havia me esquecido, que só eu tinha problema. Foi quando a voz me apresentou a bailarina, a mesma que um dia ele me apresentou, a perfeição em pessoa, mas aquela voz me fez acreditar que a perfeição não existia.

Vejamos... Como a bailarina não tem marca de vacina se ela foi uma criança um dia, e todas elas são vacinadas, talvez a H1N1 não deixe marca, mas a BCG até minha avó tem a marca. Pereba? Onde que ela mora? Será que nunca foi picada por um mosquito e teve uma perebinha qualquer.... Lombriga e ameba, tudo bem, eu deixo passar, eu também não tive, mas piriri todo mundo já teve. Nem que seja no dia que ela quis faltar a aula de balet.

Opa, se teve mordida de mosquito e pereba, é claro que também teve coceira. Piolho e o irmão meio zarolho eu também deixo passar, mas cheiro de creolina, muita gente também não tem. Acho que já usei bastante argumento pra provar que ela era tão normal, quanto eu, quanto você e até mesmo aqueles nem tão normais assim. Mas se preferir mais alguns...

Medo? Todo mundo tem medo de algo... Medo de morrer, medo de viver, medo de saber como será sua vida daqui a 5 anos... Pecado depois da missa é o que mais acontece, eu mesmo faço muito, a quem faça durante a missa também.

É meu caro Chico, procurando bem, reparando bem, todo mundo tem, inclusive a bailarina. Hoje eu entendo isso, mas demorou um pouco. Se você não entendia, agora entende também... Todo mundo tem, todo mundo tem também.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Semana de Provas




Por Leandro Rocha





O que inspira mais horror aos corações estudantes do que essas palavras dispostas nessa ordem? Semana de provas. Os que estudam ficam nervosos e os que não estudam também, os conformados aguardam seu destino e os inconformados protestam. É uma semana atípica que, nem sempre, tem sete dias.

Para os estudantes, o ano é dividido em apenas quatro semanas, as semanas de provas. Tudo que se passa entre elas é uma grande preparação ou, no espaço entre a ultima e primeira semana de prova, férias.

Mas por que o nervosismo? As provas não são nenhuma novidade, sabe-se delas desde sempre e sabe-se que elas virão, mais cedo ou mais tarde, adiadas ou não, o primeiro dia vai chegar e todos os alunos serão postos a prova. Talvez daí o nervosismo, a semana de prova trás consigo o medo de algo dar errado, não se pode ficar doente, brigar com a família, se machucar, ter dor de cabeça, não pode chover, não pode ter engarrafamento no transito, não pode faltar energia, não pode haver cansaço. São tantas exigências para uma semana de prova perfeita que faz dela, sem duvida, a semana mais estressante do ano

Referi-me apenas ao medo das coisas que podem dar errado no decorrer de uma prova e outra, mas há também aquele medo das coisas que podem acontecer durante... E se esquecer alguma coisa? E se o professor não entender a letra? E se cair o que eu não estudei? E se outro professor a aplicar? E se me fugirem as palavras? Mais tantos medos... Porém não são os piores.

O pior medo é subjetivo, sua intensidade varia de pessoa pra pessoa, varia da relação professor-aluno, independe do estudo e de uma forma geral, independe ate mesmo da prova em si. É o medo de ser avaliado, de estar sob uma provação. Naquele momento estão prestando atenção em você, para onde você olha e estão procurando, principalmente, seus erros, a idéia de não poder errar atormenta, tira a concentração e, por mim, te faz errar.

No fim, passam-se os dias e as provas acabam, sai o medo e entra a ansiedade pelas notas, mas este é outro assunto, muito mais fácil, você ao menos pode voltar a dormir e a comer enquanto as notas não saem.

sábado, 15 de maio de 2010

Ressaca Moral


Por Rodrigo Santos


Perde-se o sono! Levanta-se e começa a vagar pela casa, a vontade é vagar pela rua, é sentar na beira do mar... Isso se torna uma constante em sua vida... Você começa a ler, bobagens as vezes, e não para de pensar o porque de tudo... O medo de estar com ela é grande, mas ao mesmo tempo a certeza de não estar é tão grande quanto.

Tudo seria tão mais fácil se a cura desse mal fosse a base de comprimidos. Ela é mais cruel que a outra, mas ambas só acontecem por suas próprias atitudes, às vezes por influencia de outros, por minha talvez, mas no final, a última palavra ou último gole é sempre dado por você, por sua conta própria.

Diferente da comum, sono é algo que passa longe de você. O sofrimento não deixa ele te abraçar, mas você não deixa de sentir seu sopro leve... Você se sente embriagado de ações totalmente opostas das quais sua conduta o permite. É importante que você perceba que todas as ações negativas feitas por você afetam apenas a sua cultura interior, mesmo que ela seja fruto de uma outra ensinada. Nessa hora o outro não existe, você se vê dentro de uma briga moral dentro de si, um choque de condutas diferentes em uma mesma cabeça, a sua!

Seu corpo continua o mesmo, a dor causada por ela é no espírito, seu espírito sente uma cede incansável, cede essa que não é sanada a base de água... É uma cede de respeito próprio, de moral, de ética que o faltou em algum momento. Volto a falar, os conceitos que o faltou, não são os passados pela sociedade e sim os que você criou para sua vida.

Com isso, só lhe resta esperar, esperar e esperar... A ressaca moral não passa no dia seguinte, se a sua passar, certamente não será moral, pode ser pra mim ou para qualquer outro, mas para você não será, pois ela demora muito tempo para curar aquela ferida deixada em seu espírito, o vazio em sua mente...

Inevitavelmente, uma doença na alma, com o tempo é passada para seu corpo... Aí vem o vazio no coração, a vontade de sumir do mundo, o que não adiantaria, uma vez que os dedos que o recriminam, estão presos em sua própria mão... A ressaca moral, trás a culpa, o medo, à vontade de acabar com a própria vida... Mas não acabe com a sua, a ressaca só ira piorar depois da morte, deixe que a depressão acabe com ela por você.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Você

Por Leandro Rocha




Antes de tudo peço que me perdoe pela forma um tanto agressiva que te escrevi falando sobre o quanto eu te cerco, não sei, mas eu ficaria assustado se recebesse tal mensagem, tentarei ser mais sutil agora.

Vou puxar da memória tudo que vem de você e posso acabar sendo repetitivo pois vou tentar reparar a agressão que lhe fiz. Esqueça tudo que disse, já não te cerco mais, não mais te olho escondido sob a sombra e nem pergunto de você aos que sabem. O que sei sobre você, sei e o que não sei não saberei ate que me contes.

Sinto-me ao mesmo tempo muito bem e muito bobo por te escrever algo cheio de referencias, sem falar teu nome e sem falar o meu, falo do nosso hoje e nosso ontem e falo ainda do meu projeto de amanha, mas que tipo de resposta eu terei se não sei o quanto disso tudo você compreende? Pode parecer um texto genérico, mas não é.

Gosto de lembrar de você, parece tão frágil, mas esconde uma força que me encanta, acho que foi a primeira coisa que me chamou atenção, sua força. Combina bem esse paradoxo, pequena no tamanho e gigante na força.

Por que não terminou de me ensinar a dançar? Tudo bem, guardo a tentativa com carinho, coloco num lugar especial no meu álbum de fotos, pouco antes deitei a cabeça no seu colo para conversar, você não deve lembrar. Ali desejei dormir, dormir por 12 horas deitado em seu colo, não consegui, mas pisquei de forma tão longa que parecia viver em muitas eternidades.

Acho que infinitas vezes desejei que alguns momentos fossem infinitos, quando pude te ver dormindo, quis isso, não aconteceu mas te olhei bem, olhei a paz com que dormia mesmo com aquele vento frio vindo do mar, olhei o quanto pude ate minhas pernas pedirem que eu dormisse também, quando deitei e fechei os olhos, só via você, dormindo.

Pouca coisa pode ser melhor do que te ver pulando feliz. Juntava-se aos outros com facilidade, se integrava ao cenário com perfeição, te olhava de fora admirado, falava comigo que queria você pra mim. Será que consigo?

Mais tantas referencias vazias, mais alguma coisa para você achar genérico, mas uma vez não digo os nomes, conto os fatos sob o meu olhar, um olhar parcial que vê apenas o lado bonito, confesso que procuro seu lado feio, mas você parece não ter um. As referencias não acabaram, há tantas outras mas, ficará pra uma próxima oportunidade, quem sabe ate lá eu já não tenha te conseguido? Ou desistido de você.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Seria a morte solução?

Por Rodrigo Santos

Você perde uma máscara, talvez a mais pesada de todas, as outras, nessa hora, já não fazem diferença alguma, pra você até faria, mas para aquele que um dia jurou estar ao seu lado no dia em que essa máscara se fosse, não faz diferença alguma. A máscara dele também caiu, e eu te disse isso ia acontecer.

Histórias vividas, momentos passados, risos de tristezas, choros de felicidades, abraços dados, pactos selados... Uma vida inteira se vai junto com a máscara que você vestia e não veste mais.

Você se torna cruel, o amor que os outros sentiam, vira decepção, a decepção que você tinha, vira amor... Como um quebra-cabeça de nível 7, você vivia encaixando cada peça de sua vida, com medo da imagem final formada, mesmo que aparentemente toda imagem, no tabuleiro formada, parece-se perfeita, sempre haveria alguma peça trepada na outra, sempre haveria uma máscara em sua face... Você se torna odiado, se torna sozinho por se tornar você! E mais uma vez não foi por falta de aviso.

Seus dias viram um eterno sábado de aleluia, seus ouvidos são malhados, como os bonecos de Judas, por muitas vezes, você é considerado o próprio, o traidor, o “coisa” ruim. Mas esquecem que, diferentemente dos bonecos, dentro daquele corpo, bate um coração.

Você chora, você sangra, por muitas vezes as lágrimas se confundem com o sangue, por outras o sangue se torna a própria lágrima. Você dorme, dorme e dorme. Acorda e se pergunta: Seria a morte a solução?