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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sua vez chegará

Quem nunca ouviu alguém dizer: não cuspa para o alto, ele poderá cair na sua testa? Pois é, quantos cuspes já voltaram na sua testa ou quantos ainda irão cair? Eu garanto que vários, por mais que você diga que não... É normal, em todo ser humano, ter dias como estes que vou te mostrar...

Dias que você irá colar chicletes em baixo da cadeira da escola, em que jogará bolinha de papel na cabeça do colega, ou até mesmo da professora. Por mais que diga que não, você irá colar da prova do vizinho, irá roubar biscoitos da merenda de alguém...

O tempo vai passar um pouco, você não roubará mais biscoitos, agora você irá pegar as moedas do carro de seu pai, ficará com o troco das idas aos bares, todo domingo, para seus tios e falará que é por conta do frete.

Mais a frente irá brincar de salada mista, dizendo que é pique esconde. Irá inventar trabalhos escolares para se encontrar com alguém. Irá matar aula para ir ao shopping, irá matar aula para dormir...

Mas lá pra frente, você irá inventar uma dor de barriga para não ir trabalhar, andará de carro sem cinto, isso sem dúvidas, tomará um porre, e vai dizer no dia seguinte que nunca mais irá beber, pensará em ir numa casa de swing, alguns até irão, falará para todos, “que nada, somo apenas amigos”, quando na verdade já estão comemorando 6 meses de relacionamento. Os virgens falarão que já “comeram” 3 e as rodadas falarão que só “deram” pra 1.

Um dia você irá olhar diferente para mulher de algum conhecido, irá escutar as palavras sábias de seus avôs e em outros falaram que eles estão ficando doidos. Certamente dormirá no motel dizendo que está na casa da amiga estudando, e em outro dirá que amiga dormiu em sua casa.

Se você chegar aos 30 sem ter feito pelo menos um terço do que eu escrevi, não pense que estava dormindo, vai ver você só resolverá colar chicletes embaixo da mesa aos 50... Não importa a idade, viva a sua vida, quanto tudo isso, não precise cuspir para o alto, pois certamente você irá fazer, cedo ou tarde, seu dia irá chegar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Até ela tem

Por Rodrigo Santos

Bem, vejamos uma coisa... Certo dia, alguém, bem conhecido por sinal, resolveu dizer que existia alguém perfeito, ou quase, eu diria que a idéia nem era mostrar a perfeição e sim mostrar que existia alguém, mesmo que no pensamento dele, diferente.

No primeiro momento eu até acreditei que realmente ela poderia ser perfeita. Mas foi no dia que alguém, que eu nem sei quem era, falou ao meu ouvido o que ele queria dizer, ou o que eu entendia o que ele queria, destruindo todo meu pensamento anterior...

Acho que ela nem me conhecia, acho não tenho certeza, eu era muito pequeno no meio de toda aquela multidão que a cercava, mas aquela voz soava aos meus ouvidos de forma que me fazia esquecer de tudo e todos que estavam naquele ambiente.

Eu estava ali pensando em o que fazer de minha vida, qual lado seguir, achando que aquele, que todos acham perfeito, havia me esquecido, que só eu tinha problema. Foi quando a voz me apresentou a bailarina, a mesma que um dia ele me apresentou, a perfeição em pessoa, mas aquela voz me fez acreditar que a perfeição não existia.

Vejamos... Como a bailarina não tem marca de vacina se ela foi uma criança um dia, e todas elas são vacinadas, talvez a H1N1 não deixe marca, mas a BCG até minha avó tem a marca. Pereba? Onde que ela mora? Será que nunca foi picada por um mosquito e teve uma perebinha qualquer.... Lombriga e ameba, tudo bem, eu deixo passar, eu também não tive, mas piriri todo mundo já teve. Nem que seja no dia que ela quis faltar a aula de balet.

Opa, se teve mordida de mosquito e pereba, é claro que também teve coceira. Piolho e o irmão meio zarolho eu também deixo passar, mas cheiro de creolina, muita gente também não tem. Acho que já usei bastante argumento pra provar que ela era tão normal, quanto eu, quanto você e até mesmo aqueles nem tão normais assim. Mas se preferir mais alguns...

Medo? Todo mundo tem medo de algo... Medo de morrer, medo de viver, medo de saber como será sua vida daqui a 5 anos... Pecado depois da missa é o que mais acontece, eu mesmo faço muito, a quem faça durante a missa também.

É meu caro Chico, procurando bem, reparando bem, todo mundo tem, inclusive a bailarina. Hoje eu entendo isso, mas demorou um pouco. Se você não entendia, agora entende também... Todo mundo tem, todo mundo tem também.

sábado, 15 de maio de 2010

Ressaca Moral


Por Rodrigo Santos


Perde-se o sono! Levanta-se e começa a vagar pela casa, a vontade é vagar pela rua, é sentar na beira do mar... Isso se torna uma constante em sua vida... Você começa a ler, bobagens as vezes, e não para de pensar o porque de tudo... O medo de estar com ela é grande, mas ao mesmo tempo a certeza de não estar é tão grande quanto.

Tudo seria tão mais fácil se a cura desse mal fosse a base de comprimidos. Ela é mais cruel que a outra, mas ambas só acontecem por suas próprias atitudes, às vezes por influencia de outros, por minha talvez, mas no final, a última palavra ou último gole é sempre dado por você, por sua conta própria.

Diferente da comum, sono é algo que passa longe de você. O sofrimento não deixa ele te abraçar, mas você não deixa de sentir seu sopro leve... Você se sente embriagado de ações totalmente opostas das quais sua conduta o permite. É importante que você perceba que todas as ações negativas feitas por você afetam apenas a sua cultura interior, mesmo que ela seja fruto de uma outra ensinada. Nessa hora o outro não existe, você se vê dentro de uma briga moral dentro de si, um choque de condutas diferentes em uma mesma cabeça, a sua!

Seu corpo continua o mesmo, a dor causada por ela é no espírito, seu espírito sente uma cede incansável, cede essa que não é sanada a base de água... É uma cede de respeito próprio, de moral, de ética que o faltou em algum momento. Volto a falar, os conceitos que o faltou, não são os passados pela sociedade e sim os que você criou para sua vida.

Com isso, só lhe resta esperar, esperar e esperar... A ressaca moral não passa no dia seguinte, se a sua passar, certamente não será moral, pode ser pra mim ou para qualquer outro, mas para você não será, pois ela demora muito tempo para curar aquela ferida deixada em seu espírito, o vazio em sua mente...

Inevitavelmente, uma doença na alma, com o tempo é passada para seu corpo... Aí vem o vazio no coração, a vontade de sumir do mundo, o que não adiantaria, uma vez que os dedos que o recriminam, estão presos em sua própria mão... A ressaca moral, trás a culpa, o medo, à vontade de acabar com a própria vida... Mas não acabe com a sua, a ressaca só ira piorar depois da morte, deixe que a depressão acabe com ela por você.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Seria a morte solução?

Por Rodrigo Santos

Você perde uma máscara, talvez a mais pesada de todas, as outras, nessa hora, já não fazem diferença alguma, pra você até faria, mas para aquele que um dia jurou estar ao seu lado no dia em que essa máscara se fosse, não faz diferença alguma. A máscara dele também caiu, e eu te disse isso ia acontecer.

Histórias vividas, momentos passados, risos de tristezas, choros de felicidades, abraços dados, pactos selados... Uma vida inteira se vai junto com a máscara que você vestia e não veste mais.

Você se torna cruel, o amor que os outros sentiam, vira decepção, a decepção que você tinha, vira amor... Como um quebra-cabeça de nível 7, você vivia encaixando cada peça de sua vida, com medo da imagem final formada, mesmo que aparentemente toda imagem, no tabuleiro formada, parece-se perfeita, sempre haveria alguma peça trepada na outra, sempre haveria uma máscara em sua face... Você se torna odiado, se torna sozinho por se tornar você! E mais uma vez não foi por falta de aviso.

Seus dias viram um eterno sábado de aleluia, seus ouvidos são malhados, como os bonecos de Judas, por muitas vezes, você é considerado o próprio, o traidor, o “coisa” ruim. Mas esquecem que, diferentemente dos bonecos, dentro daquele corpo, bate um coração.

Você chora, você sangra, por muitas vezes as lágrimas se confundem com o sangue, por outras o sangue se torna a própria lágrima. Você dorme, dorme e dorme. Acorda e se pergunta: Seria a morte a solução?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Por trás da máscara

Por Rodrigo Santos

Sim, existem muitas... Eu mesmo possuo várias, vai dizer que você não tem? A todo momento, mesmo que inconscientemente, nos escondemos por trás de uma máscara sadia, ou não... Nos escondemos no primeiro dia de aula, no primeiro encontro, até mesmo quando perdemos alguém muito importante, a máscara sempre será usada.

Mas vamos para a máscara em questão. Vamos nos pôr por trás delas, escondendo nossa real situação, seja uma dor, uma angústia, uma vida de pecados, uma vida sem rumo... Por medo de mostrar essa face verdadeira, corremos o risco de se tornar uma pessoa falsa, aos olhos daqueles que se dizem amigos, e por poucas vezes são, nos cobrimos com uma máscara, que já podemos chamar de véu.


Esse véu protege todo nosso corpo, essa máscara nos permite rir, brincar, dizer "sim, estou bem". Quem está por fora dela, diz que não a confunde com falsidade. Mas o medo daquele que a veste, não se permite se mostrar. Uma máscara não cai sozinha, eu posso desmascarar alguém, posso me desmascaras, mas dizer que ela caiu sozinha é o mesmo que dizer que a deixou cair, mas prefere ficar de cabeça arriada, continuando sem querer se mostrar. Máscaras caídas são amigos perdidos, é a morte dos seus pais, mas é a certeza que alguém te respeita e te ama.

Você pode está se perguntando... Será que vale a pena perder tudo isso e viver sua própria face? Essa é uma pergunta muito difícil de ser respondida, ninguém melhor do que você mesmo para saber o peso de sua máscara, o quanto a liberdade te fará bem ou não. Mas ao mesmo tempo eu te pergunto, será que vale a pena viver uma vida que não seja a sua própria? Até que ponto é sadio para seu espírito sorrir para todos, quando na verdade sua vontade é subir o morro mais alto e gritar, gritar para que todos possam ouvir quem realmente você é, qual é a sua verdadeira história. Amigos vêm e vão, familiares morrem, você também morrerá um dia. Agora se você acha justo com si próprio chegar no fim de sua vida, olhar para trás e ver que você viveu toda sua vida por de trás de uma máscara, siga em frente... Se você prefere arriscar, tirar todas as máscaras, ver quem realmente seguirá ao seu lado, essa é a hora...

Essa é a hora de dizer "eu te amo", de dizer "preciso de ajuda", "siga a sua vida e me esqueça"... Lembre-se, pense bem antes de agir, palavras ditas não voltam, máscaras caídas não são como unhas sujas, que cortamos e logo crescerá uma nova limpinha... Qual é a sua máscara? Quando você irá tira-la? Será que eu vou precisar tirar a minha para ver a sua?

A sua máscara nunca cairá sozinha, apenas quando você quiser, eu certamente estarei ao seu lado, como um de seus poucos amigos que estarão, e te direi... “Ei, levante a cabeça, sua face é muito mais bela do que a máscara que você carregava”. Nesse dia, eu e você festejaremos por uma vitória única, por um respeito mútuo e com a certeza que no final, seremos pessoas diferentes e vestindo, cada um, a sua própria face.

domingo, 25 de abril de 2010

Lógica explicativo



Por Rodrigo Santos




Muita gente sabe explicar muita coisa, eu mesmo já te expliquei o que vem a ser o charme, mas será que alguém me consegue explicar o que vem a ser exatamente uma explicação sem muitas redundâncias?

Pois bem, pensando nisso, resolvi tentar entender, me auto explicar e depois tentar te explicar o que vem a ser a explicação. Dizer que explicação é o ato de explicar algo para alguém, é muito lógico, porém sem fundamento. Dizer que é fazer alguém entender algum determinado assunto continua com o pensamento da primeira explicação, agora com outras palavras, tentando explicar de outra forma.

Em primeiro lugar, nunca confunda explicação com suposições. Quando você supõem algo, você não explica, suposições são vagas, explicações são exatas e pertencem a área.


Explicar é basicamente apresentar uma proposição, não uma suposta idéia, muito menos uma preposição. Essa proposição deve ser verdadeira e automaticamente conseqüência de uma outra.

Para tal, é necessário termos duas ou mais conexões entre as lógicas envolvidas, que se tornam idéias, enquanto não são provadas por uma análise lógica, tornando-se assim uma proposição verdadeira, na qual já se foi provada que não é falsa.

Caso isso aconteça, temos uma explicação. Caso ao contrário, fique tranqüilo, pois não foi você que não entendeu e sim ele que não soube te explicar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jorge Tadeu

Por Rodrigo Santos

Jorge Tadeu é Paranaense, filho de Jorge, neto de Jorge, Ogum é seu padrinho, Jorge é seu padrinho...

Morava em Vila dos Cabanos, distrito de Barbacena, embora não aparenta-se, tinha uma vida boa, por conta de seu trabalho. A Companhia sempre dominou bem aquela região, mas Jorge não, ele não dominava nada, quem dominava era sua companheira Dolores. A maioria dos moradores da região a conhecia, ou pelo menos, já tinham ouvido falar em seu nome. Sua fama não era a das melhores, mas ela tinha bom coração, e disso ninguém duvidava.

Todo dia 23 de Abril era o mesmo ritual... As cinco da manhã Jorge levantava, chamava seu filho, Jorge também, e iam para praça soltar os fogos da alvorada... Toda vizinhança já sabia que todo ano Jorge estaria lá com seus fogos, até mesmo no ano em que Jorge pai faleceu, Tadeu estava lá, em memória de seu pai, não soltou todos os fogos, mas soltou alguns... Ritual é ritual.

Jorge perdeu seu emprego na Companhia e com ele seus amigos, que nem eram amigos de verdade, perdeu sua mãe, sua família, perdeu sua paz, perdeu parte de sua vida, para ele, perderia ela por completa...

Ao contrário do nome que carregava, Jorge não era guerreiro, talvez por influencia do Tadeu, mas não importa, no fundo são os mesmo. Jorge poderia ter esquecido de tudo, mas nunca do dia 23, e assim era, ele continuava, mesmo sozinho, todo dia 23 de abril levantando às 5h da manhã e soltando os fogos na alvorada, mesmo sozinho cada pólvora que explodia, era como se ele senti-se vida dentro de si, era como se alguém fala-se para ele seguir e nunca desistir da vida, mesmo que pareça estar sozinho....

Hoje é dia 23 de Abril, é dia de Jorge. Tadeu certamente está, neste momento, pois são 5h, com seu braço esticado no meio da praça, soltando seus fogos, anunciando aos céus que ali também tem um Jorge...

Essa história é para todos os Jorge que conhecemos, seja Tadeu, João, Marcos e até mesmo Maria... Todos nós temos um lado Jorge na vida, um lado guerreiro, que demoramos a descobrir, às vezes é preciso perder muita coisa, às vezes é preciso perder tudo, para que esse Jorge grite ao nosso coração, como as horas, que na verdade são minutos, dos fogos de reveillon.

Salve Jorge!

domingo, 18 de abril de 2010

Conto Erótico


Por Rodrigo Santos


“Eu gosto do seu corpo / Eu gosto do que ele faz / Eu gosto de como ele faz /
Eu gosto de sentir as formas do seu corpo / Dos seus ossos /
E de sentir o tremor firme e doce / De quando lhe beijo /
E volto a beijar / E volto a beijar / E volto a beijar”

E. E. Cummings




Ela surge como um passe de mágica, ela é a verdadeira mágica, sua essência me seduz, seu perfume entorpecedor me envolve ao ponto de me fazer perder quase todos os sentidos... Os que me restam, aproveito para sentir sua pele, lisa e macia, sobre meu corpo que já treme a sua presença.
O desejo aumenta, e com ele uma vontade imensa de percorrer cada curva de seu corpo... Como um velho poeta, que saí a vagar na rua, pela madrugada, a procura de inspiração, assim sou eu. Me vejo perdido pelas ruas de seu corpo, a luz da casa apagada, me faz acreditar que já é alta madrugada... Começo a caminhar pelos cantos, bem lentamente, em cada esquina uma pequena pausa antes de virar a próxima rua, vejo se estou realmente sozinho, realmente livre e percebo que todas as ruas ali pertencem somente a mim.
Continuo a caminhada sem saber onde chegar, minha boca, seca de tanto pisar sobre as ruas, resolve beber de sua água, da água que brota nos canteiros plantados nas curvas de seu corpo... Com ela molhada, posso deslizar com mais facilidade sobre essas ruas, que agora são minhas...
Diferente de antes, o comando agora é meu, os sentidos que me roubaste, os tenho de volta, agora em dobro, pois tenho os seus, pois tenho você...
Beijo sua boca, seu corpo tremulo, pede que o beije mais e mais e mais.... Suas mãos, leves e com o suor entre os dedos, apertam minha nuca enquanto minha boca dança zouk na sua. Bebo mais um pouco de seu líquido e escuto um gemido forte que vem de sua boca.
Já não se sabe a qual rua estamos andando, a qual esquina virar, a madrugada, que antes era um quarto escuro, se torna uma noite de luar. Dois corpos se comunicam intensamente, esquecendo qual rua pertence a quem, se é que pertenciam. Nossas bocas grudam uma nas outras, acendendo chamas pelas ruas, os montes de seu corpo já são verdadeiros vulcões em erupção, suas lavas me queimam de prazer, meu prazer intensifica sua erupção...
Somos um!

sábado, 17 de abril de 2010

PSICOGRAFIA

Por Rodrigo Santos

Hoje eu acordei! Me senti bem melhor do que eu sentia ao dormir, na verdade não sinto mais nada...
-
É estranho, as coisas por aqui não são tão diferentes assim, as pessoas, se é que posso chamá-las assim agora, trabalham, estudam, têm uma vida, embora não faça sentido algum dizer isso. Mas na primeira aula já me ensinaram sobre isso, sentido algum faria se realmente fosse um fim, embora eu nunca acreditasse nisso, e vocês sabem que não, vó Neusa me fez acreditar. Pois é, depois desse tempo todo eu a encontrei aqui, isso fez valer a pena o meu fim, ou melhor, o meu começo!

Mas, não estou aqui pra falar como é a vida aqui em cima, eles não me dariam essa oportunidade para falar como as coisas acontecem por aqui, tem muitos livros aí que falam muito bem como é, podem acreditar... Me sinto honrado em ter essa oportunidade, minha vinda pra cá faz muito pouco tempo, tantos outros já estão numa linha evolutiva maior que a minha, não entendi por que eu. Vó Neusa disse que eu era muito mais do que todos imaginavam, eu mesmo não me dava valor, isso eu tenho que concordar. Vózinha ainda disse que eu poderia ter ganho uma chance se tive-se ouvido a Sandra naquela noite, mas não, preferi dar uma de machão e fui assim mesmo, mesmo sentindo que a mana tinha razão. Prefiro acreditar que tudo está escrito, que nada naquela noite seria diferente.

Mana, sei que se arrepende todo dia de não ter me segurado naquela noite, mas tinha que ser, vó Neusa disse que se eu não fosse, o pai iria no meu lugar e certamente aconteceria com ele. Mas o carma do pai é pior que o meu, ele não teria a chance de escrever pra gente depois de tão pouco tempo assim. O pai sempre foi muito cético, até mais que eu. Acho que se ele ler isso antes de vocês, rasgará tudo e vai fingir que nada aconteceu. Talvez ajude dizer que todo carnaval em Saquarema ele fingia estar com sono as 8h pra mãe deitar com ele e eu e o pessoal sair. Só eu sabia que ele não estava com sono, se realmente tive-se, Martinha não estaria aí né? rsrs

Também posso dizer que o pai colocava coca-cola escondido na bolsa da escola, e que quando eu tinha uns 12 anos ele dizia pra mãe que iria me por pra dormir e ficava jogando street fighter, enquanto ela arrumava a cozinha.

Pai, eu sei que você não acredita em nada disso, sei da sua criação, sei de tudo, mas vou te mostrar que sou eu, nem que seja em sonho ou até mesmo “pessoalmente” se os evoluídos daqui deixarem. A Martinha já me viu 2 vezes, vó Neusa já me levou aí pra ver a mãe...

Mãe, dona Sisi, Sileide Maria, como eu gostava de chamar a senhora, seu filho está bem aqui... Vó Neusa está cuidado bem de mim, ela pede pra você doar as pinturas dela, segundo ela, irão ser mais úteis num orfanato no que no porão do sítio. Eu particularmente continuo achando aquelas pinturas nada a ver, mas se ela diz eu acredito.

Mãe, de um beijo em todos aí, no pai, na Sandra, na Martinha. Um evoluído aqui me disse que eu voltarei como filho da Martinha, já pensou dona Sisi, eu seu neto? Diz pro Tadeu que já encontrei com o Guilherme também, ele demorou um pouco a aceitar a idéia, mas hoje a mais calmo...

Liga pro Souza e diz que ele pode pegar minha coleção dos clássicos. Nós tínhamos um trato, se ele chega-se aqui na minha frente, eu ficaria com os álbuns dele, como eu vim na frente, perdi minha coleção de clássicos, mas trato é trato né?!

Bem, já escrevi muito por hoje, vó Neusa disse que isso cansa o moço que ta aqui comigo, mas bem que eu gostei disso. Quem sabe eu volto a escrever? Quem sabe eu escreva um livro? Amo todos que ficaram, não chorem por mim, estou muito bem aqui, estou mais perto do que vocês imaginam e segundo vó Neusa, voltarei em breve, ela eu acho que não, ela disse que ainda tem que esperar o pai, que ele vai dar muito trabalho aqui, mais que ele ainda vai conhecer o netinho dele.... rsrs
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Ah, já ia me esquecendo... Mana, na última gaveta do meu armário tem um envelope com uma carta e uma chave, entregue na mão da Bia, ela também sofre muito por minha causa, aquela carta eu escrevi pra ela 2 dias antes da noite que me trouxe até aqui, diga a ela que ela foi a garota que eu mais amei e assim que eu tiver outra oportunidade escreverei pra ela também, por enquanto ela fica com a carta que escrevi em vida.

Um beijo no coração de todos vocês! E acreditem, o que morre é a carne o espírito continua vivo aqui em cima e na memória de vocês aí em baixo.

Júlio César Campelo Braga

terça-feira, 13 de abril de 2010

O sabor amargo do algodão doce (final)

Por Rodrigo Santos

“Saía de um inverno quente,
para entrar numa primavera com tempestades de verão...”

Assim como toda tempestade de verão, que carrega em suas gotas, toda frieza da natureza, caindo na terra e levando consigo tudo o que a ela interessar, sem ao menos pensar nos outros, era a vida do menino. Ele já começava a se libertar das garras da sociedade que o julgava pela sua fome inexplicável, as conversas com a moça da serra o ajudava bastante nisso também. Já estava me esquecendo de falar nela...
Toda terça-feira de lua cheia, o menino subia a serra do rancho para se encontrar com uma moça muito misteriosa, ela parecia saber sempre de tudo... Sabia de suas vontades, de seus amores, suas frustrações, de seus pecados, e como sabia, e claro não podia falar o algodão doce... Embora soubesse, era um assunto pouco discutido entre eles, até aquela primavera.
Vocês devem estar se perguntando... E aquele algodão de gosto indefinido que o menino tinha encontrado? Pois bem, esse já não era tão indefinido assim, era doce, muito doce, mas não era enjoativo, não para aquela boca, que já estava acostumada com tantos sabores diferentes.
Como em toda história, passou-se algum tempo, mas nunca a vontade de comer algodão doce. Mas agora era diferente, o menino só comia algodão, alguns até chegaram a ver o menino passando pela praça das pipocas comendo seu algodão doce, ele já não se importava com os pensamentos e os olhos recriminadores das pessoas, ele era dono de si, não precisava de ninguém para nada, mas muitos precisavam dele para tudo, ou quase tudo. Os dias de lua cheia o fazia acreditar nisso.
Hoje em dia, o menino continua saboreando o mesmo algodão doce de sempre, cada dia com mais vontade, com mais desejo... Não importa se, assim como um saco de pipoca, um algodão doce também acaba. Se acabar, ele compra outro do mesmo dono, da mesma cor, do mesmo sabor, será o mesmo! E se algum dia ele não tiver mais o mesmo, ele levará em sua história o eterno sabor daquele algodão que marcou sua vida, não se importando com o seu sabor amargo, que para o jovem garoto, que hoje nem é tão jovem assim, será eternamente doce.
Fim? Não!
Essa história nunca terá um fim, pode acabar todo algodão doce do mundo, pode sobrar algodão doce, o menino pode morrer, e ele vai um dia, mas o sabor amargo do algodão doce nunca morrerá, sempre haverá alguém, próximo ou não do menino que seguirá esta história... Sempre haverá pipocas, algodões, balas, pirulitos... E sempre haverá alguém que irá comê-los.
Fica aqui um conselho dos dias de lua cheia, se não te faz mal, coma! Açúcar e sal fazem mal para diabéticos e hipertensos, se a doença não é sua, coma, se lambuze, mesmo que se arrependa depois. Não se importe se o açúcar faz mal para aqueles que se incomodam com você, se te faz bem, o doente em questão não é você! Pense que você terá histórias para contar para seus netos, ou melhor, pense que um dia você poderá ser a própria terça-feira de lua cheia...

sábado, 27 de março de 2010

Soneto do Temporal

Por Rodrigo Santos


Ele vem e avisa que está pra chegar
Às vezes é odiado, por outros é desejado
Vejo os ônibus passando em minha rua
O noticiário informa, esta tudo alagado

Os leigo, o chama de chuva forte
Os biólogos de osso craniano
A quem diga que é um advérbio
Outro dia me peguei cantando

A idéia, realmente, veio da chuva que caia
Foi tão forte, quanto a água e a ventania
Tão intenso como a fome que eu sentia

Cada raio eu fazia uma oração
Do sofá eu ouvia um trovão
Me lembrei da viagem ao Ribeirão

quinta-feira, 25 de março de 2010

Texto vazio cheio de idéias

Desafio: Escrever porque cheio é cheio e não vazio?
Porque noite é noite e não dia?
Desafiador: Anônimo
Desafiado: Rodrigo Santos

Vamos lá, primeiro desafio realizado por um de nossos leitores, é anônimo, mas é leitor. Tema bem complexo para falar né? Mas como levo a fama do escritor mais complexo e abstrato do blog, vamos lá...

Eu poderia dar uma resposta simples. O cheio é cheio porque não é vazio, se fosse vazio não seria cheio, pois não teria nada que o enchesse a ponto de se tornar cheio. O mesmo vale para o vazio... Ou então eu poderia dizer que a noite é noite e não dia porque Deus quis, porque alguém quis, mas não eu, eu não quis nada...

Vamos as complexidades maiores do tema... Meu leitor anônimo foi inteligente no seu pedido, mas será que ele percebeu que o cheio, o vazio, o dia e a noite têm ligações entre eles? O dia é dia porque é cheio, porque é dia... Não me venha dizer, e se for um feriado? Um domingo chuvoso? Meu caro leitor, o cheio soa nitidamente, é altamente compenetrado, tem seu tempo e espaço bem preenchido, logo, o cheio é o próprio dia. Em que parte do dia você trabalha, estuda ou não faz nada? O dia! Até aqueles que trabalham a noite, tem seu dia cheio... Ou você acha que eles só compram remédios pelos interfones das farmácias?

Ahh, a noite.... E a noite que os grandes centros, comerciais, urbanos são poucos freqüentados, é nela que comemos menos, pois não é bom dormirmos de barriga cheia, é antes de sono que você lembra daquela pessoa que não está ao seu lado, e você gostaria que estivesse, é nessa hora que você se sente carente, desprovido, vazio....

Se invertermos tudo que foi escrito aqui nesse post, não teria sentido algum, ou melhor, teria sim, depende do ponto de vista de quem ler, pois teríamos uma idéia sem lógica, vazia, escrita numa noite, num domingo à noite, tem coisa mais vazia do que domingo à noite? Isso nos volta a ter sentido...

Acho que respondi, sua pergunta, meu amigo leitor... Mas cuidado com uma coisa, todo mundo tem um nome, todo nome tem seu peso e se faz presente... O anônimo não, ele tem medo, de algo que nem ele mesmo sabe, tem medo do sol, do dia, vive pelos cantos, na noite, não tem essência. O anônimo é vazio...

domingo, 21 de março de 2010

As linhas do universo

Desafio: Escrever sobre a diferença de um mundo real e fantasioso
Desafiador: Gabriel Bigó
Desafiado: Rodrigo Santos


Não seria fantasioso afirmar que o real e o sobrenatural andam juntos a todo momento, idependente de crença. Mas não seria real, já em outra conotação, dizer que o sobrenatural e o fantasioso, o fantástico, estejam interligados.

O real é o que nos faz ver sentido na vida, ele é tenso, é forte, nos trás a verdade, verdade essa que por muitas vezes nos leva a insanidade, ao ponto de entrarmos num mundo de fantasia. Esse mundo que anda sempre em paralelo com a realidade, e como todas paralelas, nunca se cruzam, mas são cruzadas, não necessariamente no mesmo momento, por uma nova realidade, uma que vem de outro plano, outra dimensão... Aos matemáticos de plantão, podemos definir que as 3 realidades citadas são como retas paralelas cortadas por uma transversal, perpendicular, ou não as retas, depende do ponto de vista.
Viver num mundo de fantasias seria maravilhoso, nem o céu se torna o limite, melhor ainda, o limite não existiria... Acreditar que ao morrer terei sete virgem me esperando se torna lenda e não fantasia. Uma vida fantasiosa seria como se o meu quarto fosse o planeta terra, quiçá o sistema solar, e eu fosse meu próprio Deus, ou até mesmo o seu também. Já imaginou?
Pensando bem, a vida de todo ser humano é uma escala de realidades, nascemos e seguimos no mundo da fantasia, vai dizer que você nunca teve um amigo imaginário? Até mesmo um adolescente de 15 anos, por muitas vezes, vive num mundo de fantasia... A infância vai, a maturidade vem, e com ela uma nova realidade, a própria realidade... Já não se pode mais pensar que um homem virá num cavalo branco...

O adulto viril se vai, dando passagem para uma velhice, não tão viril assim, não tão real, o fantástico volta a rondar os pensamentos desse ser... A morte chega, por muitas vezes nem espera a velhice chegar, por outras é ainda mais cruel, não espera o homem viril se apresentar. Lenta ou rápida, forte ou fraca, o importante que ela sempre trás consigo uma nova realidade, não tão real assim, para alguns, mas para outros é ainda mais real...

É claro que muitos não seguem essa linha cronológica, eu por exemplo vivo numa realidade muito mais sobrenatural, você numa fantasiosa, mas de alguma forma somos presos por um cordão umbilical que nos trás ao mesmo mundo, mas nem sempre ao mesmo tempo, chamado real...

quarta-feira, 17 de março de 2010

A culpa

Por Rodrigo Santos



Qual sentimento poderia ser tão pequeno aos olhos daqueles que o possui? A culpa... Ela esta acompanhada de uma máscara, a máscara do bem. Sim é claro, do bem... Você já viu alguém possuir uma máscara do mal? A máscara esconde a dor e a tristeza dos olhos daqueles que os carregam... Faz com que sua visão seja deturpada ao ponto de, por muitas vezes, transportar toda sua culpa para outrem.

A culpa está associada a todo mal material, moral e espiritual, que de certa forma estão ligadas umas as outras. E o erro, será que ele está ligado a culpa? Quando se assume um erro, estamos levando consigo uma responsabilidade por algo feito ou pensando. A culpa se torna presente, uma vez que tentamos ofuscar nosso erro, culpando outros por aquele momento ruim, pois se for bom, não temos culpa, não essa mascarada.

Não me venha dizer que nem tudo na vida, nem todo fim têm um culpado, se teve fim, foi porque começou, e se começou foi por culpa de alguém. Minha talvez...

Talvez não, a culpa é minha sim! Não devo me esconder na máscara que, eu mesmo, escrevo. Por erro dele, você carrega uma cruz que não é sua, que seja sua, mas o fardo é meu, o que me leva a culpa de um erro que se torna meu, e não mais dele.

Você ri, eu choro, você brinca, eu assisto, você me ama, eu passo a me odiar, com a certeza de que um dia esse ódio me levará a um quarto escuro novamente, sem porta, sem janela, sem comida, sem ar... Por mais que eu queira, não posso me esconder nesse quarto escuro agora, pois não saberia sair nunca de dentro dele. Ao mesmo tempo não seria covarde a tal ponto de te deixar sozinho carregando essa cruz, se eu for, o peso dela será maior, o erro dele, que já eu meu, se tornará mais vivo ainda, o fardo talvez fique mais leve, mas a culpa não, a culpa me secará aos poucos, como se fosse um veneno de rato, me levando a morte. Mas quando isso acontecer, já será tarde, pois já estarei morto a muito tempo, e a culpa continuará sendo minha!

domingo, 14 de março de 2010

O sabor amargo do algodão doce (parte 2)

Por Rodrigo Santos


“enquanto eu não encontrar o meu algodão, cada dia será um,
cada dia uma cor, cada dia um novo sabor...”


O verão foi embora, chegando o outono, nesse os dias eram mais frescos e mais curtos ainda, do que os outonos de costume. O desejo do jovem menino começava a enfraquecer, feito as folhas do outono que se desprendem das grandes árvores, e pequenas também, e vão ao chão...

Ele já sabia, onde encontrar, como comprar, não sabia qual algodão era o mais gostoso, embora naquele momento, mais gostoso ainda era a procura intensa, que já não era tão intensa, que já não era nem mais intensa, que já não era....

Na cabeça daquele jovem, ele já tinha realizado seu desejo, se antes ele queria O ALGODÃO, de um dia para o outro ele nem queria mais, para ele o grande algodão foi o dia que ele teve todos, para quer querer mais? Como o próprio nome diz, é doce, é arriscado, pode dar diabete ou coisa pior... Bom mesmo é a pipoca, todo mundo come, pode ser doce, pode ser salgada, pode ser sem gosto, pode ter queijo, bacon... Uhnn, pode ter bacon!

Então é isso, pipoca! O menino começa a comer apenas pipoca, ele até gosta de pipoca, mas para ele, algodão doce é algodão doce... Certo dia, caminhando na antiga praça, que não caminhava a tempo, encontra um certo senhor, que aparentava ter uns 80 anos, sentado num banco em cima de um formigueiro, as formigas andavam nos seus pés, de forma que já não se sabia o que era o pé do senhor, formiga e pipoca, pois a panela transbordava pipocas para toda parte... Aquela cena chamou a atenção do menino que foi em direção ao senhor, com a intenção de ajudá-lo, o homem por sua vez não fez questão de sua ajuda, muito mal perguntou se queria salgada ou doce, sem nem se levantar daquele banco, parecia estar grudado ali, e estava... O menino que nem queria comer a pipoca, acabou comprando, com o intuito de ajudar o velho homem.

Por comodidade, pena, vontade ou algum sentimento qualquer, o menino começou a comer apenas pipoca, a pipoca do homem sério, como ele apelidou. Com o tempo, tornaram-se amigos, talvez o primeiro amigo de verdade do velho, até hoje ninguém sabe ao certo, só o pipoqueiro. Com o tempo, o menino ajuda o senhor a se levantar daquele banco, ele tira as formigas de perto, mas sem matá-las, ele não faria isso com as formigas, pobre formigas...

Como todo desejo, se não for bem sanado, iremos sempre em busca da realização. E se for bem, vamos em busca de uma repetição. Não ia ser diferente com o menino... Por mais pipoca que ele comesse, seja doce, salgada, com ou sem bacon, não existe pipoca sabor algodão doce, nem as de microondas. O desejo voltava a rondar a mente do jovem garoto, mas o medo sempre via junto. Por mais que ele sabia onde encontrar, um de qualidade, ou pelo menos variedades, o fato de estar sempre sozinho nessa busca, o deixava sempre na vontade...

Um novo outono chegou, dessa vez, diferente do outono passado, o que caia junto com as flores, não era o desejo de comer algodão doce, e sim o prazer da pipoca. Ainda no outono o menino começa a comer pipoca, agora sempre doce, ele volta na praça dos algodões, dessa vez sozinho, encontra um algodão, com um gosto ainda meio indefinido, embora não tivesse comido ainda, ele já sabia que aquele algodão ao mesmo tempo em que era doce, era amargo, era até salgado, talvez por influencia da pipoca...

O inverno chega, talvez para o velho homem que vendia pipoca, devia ter sido o inferno mais frio, tão frio ao ponto de doer todas as juntas fracas daquele senhor, que agora se tornava mais fraca ainda, pois já não tinha mais aquele menino ao seu lado para comprar sua pipoca, para conversar com ele, para expulsar aquelas formigas, para dar vida a sua vida...

E a vida do menino? Ah, essa já não tinha mais estação correta... Saia de um inverno quente, para entrar numa primavera com tempestades de verão...

Continua...

quarta-feira, 10 de março de 2010

O Charme

Por Rodrigo Santos

É... Bom tema para ser discutido. O Charme, sim o charme... Para alguns serve de encanto, meio de atrair algo ou alguém para mais perto, para bem mais perto... De uma forma ou de outra ele está a todo o momento em todos os lugares, mas nem todos conseguem ver. O Charme pode ser um estilo de vida, uma música, um programa de televisão, talvez com charme próprio, talvez não. Não importa como ele aparece, o charme é único, é meu, é seu, mas quase nunca é nosso.

As mulheres têm seu charme, até aquelas que não namoram homens vivos, eu diria até que o charme de uma está ligado ao da outra, mas isso já foi discutido no outro post... O charme da mulher é encantador, é sedutor... Uma simples cruzada de pernas, pode deixar um homem no chão... Sim, temos um charme! A forma que ela te olha enquanto prende o cabelo... Sim, outro charme! Então o charme da mulher está ligado apenas ao corpo? Sim, mas não ao corpo dela, e sim ao corpo do homem, mas exatamente o olho. O charme da mulher se torna presente pelo olhar “erotizado” do homem.

O charme do homem é diferente, não está ligado ao corpo. Um homem “marombado” de academia é apenas um homem marombado, às vezes boa pinta, às vezes não, mas raramente charmoso. Nosso charme é mais intelectual, é a forma de falar, de pensar... Se abre a porta do carro pra mulher, ele é educado, mas se ele abre a porta do carro, segura a moça pela mão, olha bem nos seus olhos e encosta de leve sua boca em sua mão, ele passa a ser charmoso... Alguém discorda?

Pensando bem, nosso charme não é nosso, e sim daquele que vê. A mulher nunca terá charme se o homem não tiver charme nos seus olhos para vê-la. Da mesma forma que o homem nunca será charmoso se ela não estiver charme em sua mente... Explícito ou não, todo mundo tem um charme para ver, mas poucos para ser visto, até porque, até a morte tem seu charme, alguém duvida? Eu não!

Então é isso... A propósito, ninguém melhor do que você para me responder. Qual é meu charme?

domingo, 7 de março de 2010

O sabor amargo do algodão doce

Por Rodrigo Santos

Era um garoto, que como eu... Amava os Beatles? Não, não amava os Beatles, mas também não odiava. Gostava de algodão doce, embora nunca tinha comido... Depois dos 13, começou a freqüentar todas as praças da região a procura do seu algodão preferido, mas embora a fome fosse grande, faltava coragem. Mas coragem para comer algodão doce? Qualquer criança de 7 anos come em festinhas sem problema algum.... Mas ele queria O ALGODÃO e não qualquer um. Por muitas vezes ele chegava na praça, parava o vendedor, pedia um, mas antes do vendedor perguntar qual a cor que ele preferia, ele virava e saia correndo. Por outras, ele chegava a comprar, mas acabava jogando fora, sem mesmo experimentar. Aos 15, tomou coragem, resolveu comer um, não era o seu sabor preferido, mas o menino já conhecia o vendedor e achou melhor comprar com ele. Ele se preparou a semana toda e no dia certo, acordou e foi na praça. Comprou, comeu, gostou, mas se arrependeu... Ficou a pergunta no ar: Se gostou, porque se arrependeu? Até hoje ele não sabe responder, acredito que ele tinha medo de assumir que tinha gostado. Vai saber...

O tempo passou, não sei se por medo ou falta de desejo, mas o menino não queria mais saber de algodão doce. Por mais que ele lutasse, a vontade era maior ainda. Resolveu então andar por outras praças, aquelas de antigamente vendiam algodão sim, mas também vendiam pipocas e balas. Certo verão, o menino acorda com uma idéia fixa na cabeça “hj eu vou comer meu algodão”. Ele tinha outras coisas para fazer, mas nem ligou, se arrumou e foi para a praça... A princípio ele ficou meio acanhado, mas depois que comeu o primeiro, foi logo pro segundo, terceiro e parou no quinto.... Voltou para casa mais do que satisfeito e sem dor na consciência por ter comido.

Acordou no dia seguinte pensando, “agora eu já sei o algodão que posso comer”, e já imaginava na sua cabeça, enquanto eu não encontrar o meu algodão, cada dia será um, cada dia uma cor, cada dia um novo sabor...

Continua...