sábado, 27 de março de 2010

Soneto do Temporal

Por Rodrigo Santos


Ele vem e avisa que está pra chegar
Às vezes é odiado, por outros é desejado
Vejo os ônibus passando em minha rua
O noticiário informa, esta tudo alagado

Os leigo, o chama de chuva forte
Os biólogos de osso craniano
A quem diga que é um advérbio
Outro dia me peguei cantando

A idéia, realmente, veio da chuva que caia
Foi tão forte, quanto a água e a ventania
Tão intenso como a fome que eu sentia

Cada raio eu fazia uma oração
Do sofá eu ouvia um trovão
Me lembrei da viagem ao Ribeirão

quinta-feira, 25 de março de 2010

Texto vazio cheio de idéias

Desafio: Escrever porque cheio é cheio e não vazio?
Porque noite é noite e não dia?
Desafiador: Anônimo
Desafiado: Rodrigo Santos

Vamos lá, primeiro desafio realizado por um de nossos leitores, é anônimo, mas é leitor. Tema bem complexo para falar né? Mas como levo a fama do escritor mais complexo e abstrato do blog, vamos lá...

Eu poderia dar uma resposta simples. O cheio é cheio porque não é vazio, se fosse vazio não seria cheio, pois não teria nada que o enchesse a ponto de se tornar cheio. O mesmo vale para o vazio... Ou então eu poderia dizer que a noite é noite e não dia porque Deus quis, porque alguém quis, mas não eu, eu não quis nada...

Vamos as complexidades maiores do tema... Meu leitor anônimo foi inteligente no seu pedido, mas será que ele percebeu que o cheio, o vazio, o dia e a noite têm ligações entre eles? O dia é dia porque é cheio, porque é dia... Não me venha dizer, e se for um feriado? Um domingo chuvoso? Meu caro leitor, o cheio soa nitidamente, é altamente compenetrado, tem seu tempo e espaço bem preenchido, logo, o cheio é o próprio dia. Em que parte do dia você trabalha, estuda ou não faz nada? O dia! Até aqueles que trabalham a noite, tem seu dia cheio... Ou você acha que eles só compram remédios pelos interfones das farmácias?

Ahh, a noite.... E a noite que os grandes centros, comerciais, urbanos são poucos freqüentados, é nela que comemos menos, pois não é bom dormirmos de barriga cheia, é antes de sono que você lembra daquela pessoa que não está ao seu lado, e você gostaria que estivesse, é nessa hora que você se sente carente, desprovido, vazio....

Se invertermos tudo que foi escrito aqui nesse post, não teria sentido algum, ou melhor, teria sim, depende do ponto de vista de quem ler, pois teríamos uma idéia sem lógica, vazia, escrita numa noite, num domingo à noite, tem coisa mais vazia do que domingo à noite? Isso nos volta a ter sentido...

Acho que respondi, sua pergunta, meu amigo leitor... Mas cuidado com uma coisa, todo mundo tem um nome, todo nome tem seu peso e se faz presente... O anônimo não, ele tem medo, de algo que nem ele mesmo sabe, tem medo do sol, do dia, vive pelos cantos, na noite, não tem essência. O anônimo é vazio...

domingo, 21 de março de 2010

As linhas do universo

Desafio: Escrever sobre a diferença de um mundo real e fantasioso
Desafiador: Gabriel Bigó
Desafiado: Rodrigo Santos


Não seria fantasioso afirmar que o real e o sobrenatural andam juntos a todo momento, idependente de crença. Mas não seria real, já em outra conotação, dizer que o sobrenatural e o fantasioso, o fantástico, estejam interligados.

O real é o que nos faz ver sentido na vida, ele é tenso, é forte, nos trás a verdade, verdade essa que por muitas vezes nos leva a insanidade, ao ponto de entrarmos num mundo de fantasia. Esse mundo que anda sempre em paralelo com a realidade, e como todas paralelas, nunca se cruzam, mas são cruzadas, não necessariamente no mesmo momento, por uma nova realidade, uma que vem de outro plano, outra dimensão... Aos matemáticos de plantão, podemos definir que as 3 realidades citadas são como retas paralelas cortadas por uma transversal, perpendicular, ou não as retas, depende do ponto de vista.
Viver num mundo de fantasias seria maravilhoso, nem o céu se torna o limite, melhor ainda, o limite não existiria... Acreditar que ao morrer terei sete virgem me esperando se torna lenda e não fantasia. Uma vida fantasiosa seria como se o meu quarto fosse o planeta terra, quiçá o sistema solar, e eu fosse meu próprio Deus, ou até mesmo o seu também. Já imaginou?
Pensando bem, a vida de todo ser humano é uma escala de realidades, nascemos e seguimos no mundo da fantasia, vai dizer que você nunca teve um amigo imaginário? Até mesmo um adolescente de 15 anos, por muitas vezes, vive num mundo de fantasia... A infância vai, a maturidade vem, e com ela uma nova realidade, a própria realidade... Já não se pode mais pensar que um homem virá num cavalo branco...

O adulto viril se vai, dando passagem para uma velhice, não tão viril assim, não tão real, o fantástico volta a rondar os pensamentos desse ser... A morte chega, por muitas vezes nem espera a velhice chegar, por outras é ainda mais cruel, não espera o homem viril se apresentar. Lenta ou rápida, forte ou fraca, o importante que ela sempre trás consigo uma nova realidade, não tão real assim, para alguns, mas para outros é ainda mais real...

É claro que muitos não seguem essa linha cronológica, eu por exemplo vivo numa realidade muito mais sobrenatural, você numa fantasiosa, mas de alguma forma somos presos por um cordão umbilical que nos trás ao mesmo mundo, mas nem sempre ao mesmo tempo, chamado real...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Destinos Cruzados


Por Leandro Rocha


Não acredito nele, acho a vida como um livro em branco onde há apenas alguns capítulos importantes pré determinados que você vai vier se trilhar o caminho provável, aquele que seus pais ensinaram a vida toda para seguir...

Mas sempre falam em destino, ele esta presente na sua vida, seja o destino que nos liga a morte (para os que acreditam) ou o simples lugar onde você fará sinal para o ônibus parar, o seu destino.

Falando em ônibus, quantas vidas (e destinos) se cruzam dentro de um? Diariamente cada pessoa pode passar a fazer parte da sua vida... poderiam, se você não estivesse isolado na sua bolha sonora do MP3.

Quantos destinos estão sendo construídos diariamente no ônibus e quantos já estão selados? Todos esses destinos estão sendo cruzados mas só chegam a um ponto comum: o destino do motorista, naquele momento, ele é a mão que move sua vida e determina se você chegará ou não.

Você não pensa nisso, esta seguindo sua vida e não lhe interessa todas aquelas outras que estão ali. Te interessa apenas em poucos momentos, quando você veste sua toga de arrogância e faz teu julgamento implacável, “é feio”, “é gordo”... Mas lembre-se meritíssimo, dentro da sua bolha você também é julgado.

Sua arrogância chega ao limite quando entra o homem invisível... “desculpe atrapalhar o conforto de sua viagem”... Meu caro juiz, seus olhos cairão se ao menos olhar a pobre mercadoria do homem? Ajude-o a cumprir sua missão...

Enfim você chega ao seu destino, sua bolha quebra e aí viramos uma pagina, mas não tem problema, amanha você e todos se cruzam de novo e aquele que comanda o volante continuara a escrever o SEU destino.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A culpa

Por Rodrigo Santos



Qual sentimento poderia ser tão pequeno aos olhos daqueles que o possui? A culpa... Ela esta acompanhada de uma máscara, a máscara do bem. Sim é claro, do bem... Você já viu alguém possuir uma máscara do mal? A máscara esconde a dor e a tristeza dos olhos daqueles que os carregam... Faz com que sua visão seja deturpada ao ponto de, por muitas vezes, transportar toda sua culpa para outrem.

A culpa está associada a todo mal material, moral e espiritual, que de certa forma estão ligadas umas as outras. E o erro, será que ele está ligado a culpa? Quando se assume um erro, estamos levando consigo uma responsabilidade por algo feito ou pensando. A culpa se torna presente, uma vez que tentamos ofuscar nosso erro, culpando outros por aquele momento ruim, pois se for bom, não temos culpa, não essa mascarada.

Não me venha dizer que nem tudo na vida, nem todo fim têm um culpado, se teve fim, foi porque começou, e se começou foi por culpa de alguém. Minha talvez...

Talvez não, a culpa é minha sim! Não devo me esconder na máscara que, eu mesmo, escrevo. Por erro dele, você carrega uma cruz que não é sua, que seja sua, mas o fardo é meu, o que me leva a culpa de um erro que se torna meu, e não mais dele.

Você ri, eu choro, você brinca, eu assisto, você me ama, eu passo a me odiar, com a certeza de que um dia esse ódio me levará a um quarto escuro novamente, sem porta, sem janela, sem comida, sem ar... Por mais que eu queira, não posso me esconder nesse quarto escuro agora, pois não saberia sair nunca de dentro dele. Ao mesmo tempo não seria covarde a tal ponto de te deixar sozinho carregando essa cruz, se eu for, o peso dela será maior, o erro dele, que já eu meu, se tornará mais vivo ainda, o fardo talvez fique mais leve, mas a culpa não, a culpa me secará aos poucos, como se fosse um veneno de rato, me levando a morte. Mas quando isso acontecer, já será tarde, pois já estarei morto a muito tempo, e a culpa continuará sendo minha!

terça-feira, 16 de março de 2010

Tempestade


Por Leandro Rocha

Chove forte lá fora e o cenário é bastante tenso, a luz esta sendo arrancada das lâmpadas, mas ela teima em ficar, a chuva é mais forte. A água entra por baixo das portas e por frestas em janelas e o vento sussurra... Aquele sussurro que assombra as crianças e sempre está presente nos filmes de terror.

Apesar da tempestade, dentro de casa esta quente e o suor do calor se mistura ao suor frio da tensão, de não saber ate que horas a escuridão ira permanecer sobre nós, procuramos as velas e acendemos e o combustível do fogo é o medo, medo de as vermos queimar ate o ultimo centímetro de pavio.

Escrevo sentindo o suor nascer na testa e correr pelo rosto descer ao pescoço e se perder na blusa, mas ainda sim escrevo, não tenho velas comigo, minha luz é a tela. Exercito minha audição ouvindo as reclamações dos que compartilham a escuridão comigo e os trovões, muitos trovões.

Tenho a sensação que a chuva quer entrar em casa, a força com que bate nas janelas e com que entra em qualquer basculante descuidado que permaneceu aberto é impressionante. Gostamos de receber visitas mas dessa vez nós seremos maus vizinhos.

Continuo escrevendo ouvindo a chuva desistir mas seus efeitos ainda estão sob minha cabeça, ainda escrevo no escuro e ainda suo quente e frio, mas esta tudo bem, ainda que o ultimo pavio se apague, a luz virá amanha, seja elétrica ou seja o sol, mas por enquanto, chove forte lá fora.

domingo, 14 de março de 2010

O sabor amargo do algodão doce (parte 2)

Por Rodrigo Santos


“enquanto eu não encontrar o meu algodão, cada dia será um,
cada dia uma cor, cada dia um novo sabor...”


O verão foi embora, chegando o outono, nesse os dias eram mais frescos e mais curtos ainda, do que os outonos de costume. O desejo do jovem menino começava a enfraquecer, feito as folhas do outono que se desprendem das grandes árvores, e pequenas também, e vão ao chão...

Ele já sabia, onde encontrar, como comprar, não sabia qual algodão era o mais gostoso, embora naquele momento, mais gostoso ainda era a procura intensa, que já não era tão intensa, que já não era nem mais intensa, que já não era....

Na cabeça daquele jovem, ele já tinha realizado seu desejo, se antes ele queria O ALGODÃO, de um dia para o outro ele nem queria mais, para ele o grande algodão foi o dia que ele teve todos, para quer querer mais? Como o próprio nome diz, é doce, é arriscado, pode dar diabete ou coisa pior... Bom mesmo é a pipoca, todo mundo come, pode ser doce, pode ser salgada, pode ser sem gosto, pode ter queijo, bacon... Uhnn, pode ter bacon!

Então é isso, pipoca! O menino começa a comer apenas pipoca, ele até gosta de pipoca, mas para ele, algodão doce é algodão doce... Certo dia, caminhando na antiga praça, que não caminhava a tempo, encontra um certo senhor, que aparentava ter uns 80 anos, sentado num banco em cima de um formigueiro, as formigas andavam nos seus pés, de forma que já não se sabia o que era o pé do senhor, formiga e pipoca, pois a panela transbordava pipocas para toda parte... Aquela cena chamou a atenção do menino que foi em direção ao senhor, com a intenção de ajudá-lo, o homem por sua vez não fez questão de sua ajuda, muito mal perguntou se queria salgada ou doce, sem nem se levantar daquele banco, parecia estar grudado ali, e estava... O menino que nem queria comer a pipoca, acabou comprando, com o intuito de ajudar o velho homem.

Por comodidade, pena, vontade ou algum sentimento qualquer, o menino começou a comer apenas pipoca, a pipoca do homem sério, como ele apelidou. Com o tempo, tornaram-se amigos, talvez o primeiro amigo de verdade do velho, até hoje ninguém sabe ao certo, só o pipoqueiro. Com o tempo, o menino ajuda o senhor a se levantar daquele banco, ele tira as formigas de perto, mas sem matá-las, ele não faria isso com as formigas, pobre formigas...

Como todo desejo, se não for bem sanado, iremos sempre em busca da realização. E se for bem, vamos em busca de uma repetição. Não ia ser diferente com o menino... Por mais pipoca que ele comesse, seja doce, salgada, com ou sem bacon, não existe pipoca sabor algodão doce, nem as de microondas. O desejo voltava a rondar a mente do jovem garoto, mas o medo sempre via junto. Por mais que ele sabia onde encontrar, um de qualidade, ou pelo menos variedades, o fato de estar sempre sozinho nessa busca, o deixava sempre na vontade...

Um novo outono chegou, dessa vez, diferente do outono passado, o que caia junto com as flores, não era o desejo de comer algodão doce, e sim o prazer da pipoca. Ainda no outono o menino começa a comer pipoca, agora sempre doce, ele volta na praça dos algodões, dessa vez sozinho, encontra um algodão, com um gosto ainda meio indefinido, embora não tivesse comido ainda, ele já sabia que aquele algodão ao mesmo tempo em que era doce, era amargo, era até salgado, talvez por influencia da pipoca...

O inverno chega, talvez para o velho homem que vendia pipoca, devia ter sido o inferno mais frio, tão frio ao ponto de doer todas as juntas fracas daquele senhor, que agora se tornava mais fraca ainda, pois já não tinha mais aquele menino ao seu lado para comprar sua pipoca, para conversar com ele, para expulsar aquelas formigas, para dar vida a sua vida...

E a vida do menino? Ah, essa já não tinha mais estação correta... Saia de um inverno quente, para entrar numa primavera com tempestades de verão...

Continua...