segunda-feira, 7 de junho de 2010

Vazio

Por Leandro Rocha

Só há a escuridão e nada se vê alem das sombras dos objetos, os passos são dados com extrema cautela, há o medo de esbarrar em algo, quebrar e se machucar, os olhos quase incapacitados contam com o auxilio das mãos, que tateiam o ar em busca de algum toque concreto em algo que exista.

Do lado de dentro só se ouve o som abafado que vem do lado de fora, um ruído identificável também há o som ensurdecedor do silencio, o ruído agudo e incessante que parece surgir de lugar nenhum e ir direto para o ponto mais profundo da cabeça, não há pausa.

Quando os olhos se acostumam com a escuridão, as sombras parecem se mover e pequenas explosões de luz parecem serem vistas nas paredes. Por instinto você as tenta fitar, mas seus olhos são muito lentos se comparados à velocidade da luz que elas possuem, na duvida, foi apenas impressão.

Nesse momento existe o encontro consigo, quando começamos a conhecer a pessoa mais difícil do mundo de encontrar, somos jogados na frente de um espelho muito honesto que nos mostra todas as nossas falhas e forças, nosso julgamento é muito mais cruel contra nós mesmos do que contra os outros.

O medo de dar passos no escuro supera e acaba por não mais andar, parado no meio do nada você se sente ainda mais vulnerável, mas ao menos pode evitar bater os joelhos em algo e se machucar. Parado parece melhor.

Não há vento e o som já foi embora, nosso julgamento já foi feito e não conseguimos mais andar, os olhos ainda só enxergam sombras e vultos. A frente não a luz, é um túnel sem luz. Sua cabeça começa a esfriar e o raciocínio começa a ser tão grande que preenche o vazio a frente. Você dá meia volta, abre a porta e sai, de volta pra luz.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sua vez chegará

Quem nunca ouviu alguém dizer: não cuspa para o alto, ele poderá cair na sua testa? Pois é, quantos cuspes já voltaram na sua testa ou quantos ainda irão cair? Eu garanto que vários, por mais que você diga que não... É normal, em todo ser humano, ter dias como estes que vou te mostrar...

Dias que você irá colar chicletes em baixo da cadeira da escola, em que jogará bolinha de papel na cabeça do colega, ou até mesmo da professora. Por mais que diga que não, você irá colar da prova do vizinho, irá roubar biscoitos da merenda de alguém...

O tempo vai passar um pouco, você não roubará mais biscoitos, agora você irá pegar as moedas do carro de seu pai, ficará com o troco das idas aos bares, todo domingo, para seus tios e falará que é por conta do frete.

Mais a frente irá brincar de salada mista, dizendo que é pique esconde. Irá inventar trabalhos escolares para se encontrar com alguém. Irá matar aula para ir ao shopping, irá matar aula para dormir...

Mas lá pra frente, você irá inventar uma dor de barriga para não ir trabalhar, andará de carro sem cinto, isso sem dúvidas, tomará um porre, e vai dizer no dia seguinte que nunca mais irá beber, pensará em ir numa casa de swing, alguns até irão, falará para todos, “que nada, somo apenas amigos”, quando na verdade já estão comemorando 6 meses de relacionamento. Os virgens falarão que já “comeram” 3 e as rodadas falarão que só “deram” pra 1.

Um dia você irá olhar diferente para mulher de algum conhecido, irá escutar as palavras sábias de seus avôs e em outros falaram que eles estão ficando doidos. Certamente dormirá no motel dizendo que está na casa da amiga estudando, e em outro dirá que amiga dormiu em sua casa.

Se você chegar aos 30 sem ter feito pelo menos um terço do que eu escrevi, não pense que estava dormindo, vai ver você só resolverá colar chicletes embaixo da mesa aos 50... Não importa a idade, viva a sua vida, quanto tudo isso, não precise cuspir para o alto, pois certamente você irá fazer, cedo ou tarde, seu dia irá chegar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Desabafo

Por Leandro






Um dia a bomba explode.
Deixe-me falar da vida.



A vida nos traz problemas, decisões para tomar, nos traz situações complicadas, inimigos, desafetos, verdades e mentiras. A vida nos traz angustias, aflições, dilemas. E o que você faz? Guarda tudo isso.



Costumamos guardar nossos problemas para todos, já conversamos sobre isso, sobre as mascaras usadas para que os outros não vejam nossa face problemática. Normalmente temos uma forma de escape para essa pressão que sofremos, alguns fazem esportes, outros escrevem (blogs?), há os que se confessam. Porem o esporte não te responde, nem as letras e o padre não lhe dará conselhos que não estejam dentro das normas eclesiásticas, o caminho da virtude, normalmente ele te mandará rezar.



Muitas vezes é necessário que alguém igual a você, sujeito aos mesmos problemas ouça seu desabafo, alguém capaz de te indicar um caminho a seguir, muitas vezes um caminho já percorrido que, sua cabeça sob pressão, não percebeu. Quantos problemas seus não tiveram soluções parecidas?



Pare um pouco, mesmo as grandes maquinas modernas, precisam parar para aliviar a pressão. Um computador não irá trabalhar sem pausa sem que queime, a menos que esteja em um ambiente preparado, mas a vida não é um ambiente preparado, é rolar dados, a incerteza esta a cada esquina que você cruza, ou não.



Chore e grite. São instintos do ser humano, não há maior válvula de escape do que essas, é uma maneira de extravasar a energia acumulada em tantos dias de pensamentos que duvidavam da sua capacidade de resolução, tudo tem resolução, exceto a morte, mas enquanto você não morre, receba um problema de peito aberto sabendo que há um meio de resolve-lo.



Mas tudo ao seu tempo, pensamentos são coisas que ninguém pode meter a mão na sua mente e tira-los, a angustia transparece nos olhos, mas sempre valerão suas palavras de que não há nada, quando você resolver explodir, quando resolver desabafar. Conte comigo.

domingo, 23 de maio de 2010

Perdido

Por Leandro Rocha

Tudo esta calmo na vida dele, as coisas seguindo no ritmo certo, na forma certa, para o lado certo. Ele se encontra num estado confortável de repouso onde apenas fiscaliza sua existência para que nada saia errado em momento algum. Aí ela aparece, de forma inocente, aparece como qualquer pessoa pode aparecer, mas ela não se torna qualquer pessoa, ela ganha um destaque especial e, todo aquele conforto, é jogado no abismo.


Ele esta perdido. Perdido em pensamentos, em ações, em vontades e desejos, esta perdido em tudo, não sabe qual caminho tomar, mas parece que todos os caminhos levam a ela. Ele não quer pensar, pois só pensa nela e se sente bobo, por que pensar nela se ela certamente não esta lembrando que ele existe? Pergunta-se sem resposta.


O que ela fala se torna poesia e musica, o sorriso se torna pintura de artista talentoso, o perfume, a melhor fragrância. Tenta manter-se sob controle sem sucesso, se ouve musica pensa se ela gostaria de ouvir também, se vê filme se coloca no lugar do mocinho que beija a protagonista (devidamente substituída) no final.


Quando perto dela, tenta se manter forte e quase indiferente, sorri quando tem que sorrir e fala quando tem que falar, mas sua vontade é de falar toda sua vontade a ela, não faz por medo, medo da rejeição ou do riso debochado, teme as conseqüências futuras, teme o mal estar, teme muito porque pensa demais, talvez ele devesse pensar menos.


Seu pior momento é a noite quando encontra-se consigo deitado no travesseiro, sob o manto escuro da noite, a cama torna-se divã e lá ele despeja tudo que sente, como se de alguma forma suas palavras pensadas fossem levadas a ela que já dorme profundamente sonhando com alguma coisa, que não é ele.


Ele mente: “não crio expectativa”. Cria, impossível não criar quando se quer tanto, por ele se jogaria de cabeça nesse penhasco. Sua cabeça trabalha contra, prefere não pensar nos momentos de queda livre onde pode planar livremente, não, pensa que quem se joga de cabeça num penhasco, não tem outro destino senão uma testada no chão.


Ele saiu do ponto morto, o repouso acabou, a hibernação acabou, chegou a hora de acordar pois o longo inverno se foi e a primavera o chama, com flores e sol forte, não há mais fiscal nem caminho certo, há apenas caminhos, erros e acertos, há o amor que sente cheiro, que abraça, que beija o rosto mas quer beijar a boca, segundas e terceiras intenções de cara limpa e não em um avatar, seu coração queima, uma sensação nova que mistura medo e paixão. Ele vive.

sábado, 22 de maio de 2010

Sangria


Por Leandro Rocha


Escorre lentamente pela ferida aberta até a parte mais baixa, então caem, uma, duas, infinitas gotas caem sem pressa. No chão, uma poça vermelha começa a se formar, ela também escorre ate o ponto mais baixo e caminha rente ao canto da parede.


Coração suicida que abre as feridas por conta própria e justifica-se com fatos que só ele enxerga, não se pode convencê-lo, esta decidido a sangrar sobre a dificuldade que encontra.


Coração que bate forte para que o sangue saia com mais força, sangue que espirra, que força a saída e abre mais a ferida. O sangue parece que nunca acaba, não imaginou que poderia sangrar tanto, apesar da agressão, o coração não sente dor, sente-se bem.


Está quase acabado, o sangue sai tímido por entre as largas portas abertas, sai sem querer, sai expulso, vai assim até a ultima gota expulsa com o maior esforço pelo coração moribundo.


Não há mais sangue, mas ainda não acabou, a carne esta úmida e deve secar, o coração espera ate o momento em que as feridas abertas se tornem fissuras unidas pelas rachaduras que o cobrem todo.

Ele quebra em um som oco, fumaça sai de dentro dele e suas partes espalham-se pelo chão, estava vazio por dentro e a casca se tornou pó, pó molhado na poça de sangue quase seca, viscosa no chão.


Agora ele se sente bem, agora ele esta pronto para amar

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Até ela tem

Por Rodrigo Santos

Bem, vejamos uma coisa... Certo dia, alguém, bem conhecido por sinal, resolveu dizer que existia alguém perfeito, ou quase, eu diria que a idéia nem era mostrar a perfeição e sim mostrar que existia alguém, mesmo que no pensamento dele, diferente.

No primeiro momento eu até acreditei que realmente ela poderia ser perfeita. Mas foi no dia que alguém, que eu nem sei quem era, falou ao meu ouvido o que ele queria dizer, ou o que eu entendia o que ele queria, destruindo todo meu pensamento anterior...

Acho que ela nem me conhecia, acho não tenho certeza, eu era muito pequeno no meio de toda aquela multidão que a cercava, mas aquela voz soava aos meus ouvidos de forma que me fazia esquecer de tudo e todos que estavam naquele ambiente.

Eu estava ali pensando em o que fazer de minha vida, qual lado seguir, achando que aquele, que todos acham perfeito, havia me esquecido, que só eu tinha problema. Foi quando a voz me apresentou a bailarina, a mesma que um dia ele me apresentou, a perfeição em pessoa, mas aquela voz me fez acreditar que a perfeição não existia.

Vejamos... Como a bailarina não tem marca de vacina se ela foi uma criança um dia, e todas elas são vacinadas, talvez a H1N1 não deixe marca, mas a BCG até minha avó tem a marca. Pereba? Onde que ela mora? Será que nunca foi picada por um mosquito e teve uma perebinha qualquer.... Lombriga e ameba, tudo bem, eu deixo passar, eu também não tive, mas piriri todo mundo já teve. Nem que seja no dia que ela quis faltar a aula de balet.

Opa, se teve mordida de mosquito e pereba, é claro que também teve coceira. Piolho e o irmão meio zarolho eu também deixo passar, mas cheiro de creolina, muita gente também não tem. Acho que já usei bastante argumento pra provar que ela era tão normal, quanto eu, quanto você e até mesmo aqueles nem tão normais assim. Mas se preferir mais alguns...

Medo? Todo mundo tem medo de algo... Medo de morrer, medo de viver, medo de saber como será sua vida daqui a 5 anos... Pecado depois da missa é o que mais acontece, eu mesmo faço muito, a quem faça durante a missa também.

É meu caro Chico, procurando bem, reparando bem, todo mundo tem, inclusive a bailarina. Hoje eu entendo isso, mas demorou um pouco. Se você não entendia, agora entende também... Todo mundo tem, todo mundo tem também.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Semana de Provas




Por Leandro Rocha





O que inspira mais horror aos corações estudantes do que essas palavras dispostas nessa ordem? Semana de provas. Os que estudam ficam nervosos e os que não estudam também, os conformados aguardam seu destino e os inconformados protestam. É uma semana atípica que, nem sempre, tem sete dias.

Para os estudantes, o ano é dividido em apenas quatro semanas, as semanas de provas. Tudo que se passa entre elas é uma grande preparação ou, no espaço entre a ultima e primeira semana de prova, férias.

Mas por que o nervosismo? As provas não são nenhuma novidade, sabe-se delas desde sempre e sabe-se que elas virão, mais cedo ou mais tarde, adiadas ou não, o primeiro dia vai chegar e todos os alunos serão postos a prova. Talvez daí o nervosismo, a semana de prova trás consigo o medo de algo dar errado, não se pode ficar doente, brigar com a família, se machucar, ter dor de cabeça, não pode chover, não pode ter engarrafamento no transito, não pode faltar energia, não pode haver cansaço. São tantas exigências para uma semana de prova perfeita que faz dela, sem duvida, a semana mais estressante do ano

Referi-me apenas ao medo das coisas que podem dar errado no decorrer de uma prova e outra, mas há também aquele medo das coisas que podem acontecer durante... E se esquecer alguma coisa? E se o professor não entender a letra? E se cair o que eu não estudei? E se outro professor a aplicar? E se me fugirem as palavras? Mais tantos medos... Porém não são os piores.

O pior medo é subjetivo, sua intensidade varia de pessoa pra pessoa, varia da relação professor-aluno, independe do estudo e de uma forma geral, independe ate mesmo da prova em si. É o medo de ser avaliado, de estar sob uma provação. Naquele momento estão prestando atenção em você, para onde você olha e estão procurando, principalmente, seus erros, a idéia de não poder errar atormenta, tira a concentração e, por mim, te faz errar.

No fim, passam-se os dias e as provas acabam, sai o medo e entra a ansiedade pelas notas, mas este é outro assunto, muito mais fácil, você ao menos pode voltar a dormir e a comer enquanto as notas não saem.